A PHOTOTERAPIA COMO PROPOSTA DE TRATAMENTO CONTRA ANSIEDADE E BAIXA AUTOESTIMA

Fabiana Lima da Silva de Moraes -

Bia Peace

 

RESUMO

Este relato  de experiência é sobre o trabalho de phototerapia, que é realizado em três etapas: Maquiagem que é realizada pela própria fotografa, a produção de figurino, assim como a produção da foto. A maquiagem é feita na praça, no hospital, no asilo ou em qualquer outro local, A fotografa não tem equipe, faz tudo sozinha e leva em sua mala roupas e acessórios para aprimorar o trabalho. A phototerapia já foi realizada nos estados da Bahia. Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Pernambuco e Paraíba. O objetivo do trabalho  é mostrar que a imagem pode proporcionar cura na alma, se tornando uma facilitadora no processo terapêutico, ajudando a pessoa direta e indiretamente, ao criar uma ponte entre o consciente e o inconsciente, tendo a fotografia como mediadora da realidade. A fundamentação da phototerapia vem do início do século XX, por meio do Pai da psicanálise Sigmund Freud.  O corpo antes dos estudos de Freud, era para medicina algo exclusivamente biológico e estrutural, mas foi Freud que despertou a todos, afirmando que dentro do corpo havia uma mente.  Sendo assim, o olhar que era apenas material passou a ser também emocional e desde então, muitas coisas foram mudadas. Além do Pai da psicanálise, outra figura importante na fundamentação desse método foi Reich, que afirmou que não havia só uma mente dentro do corpo, mas que ambos eram uma coisa só. A partir daí, começamos a estudar diversos casos em especial com mulheres, que apresentavam sintomas de dismorfia corporal e transtornos de imagem, seguidas de forte depressão e até mesmo tendências suicidas. Foi. então, que começamos a usar a fotografia como um recurso de resgate para a aceitação corporal e cura interior. Buscando uma maior comprovação cientifica, foi realizada uma sessão de neurotmetria, no período de janeiro de 2019, na cidade de Vila Velha, no Espirito Santo, na CIA DO CEREBRO, onde foram levantadas as principais questões: A maquiagem e a fotografia realmente podem mudar o humor de uma pessoa? É possivel tratar um individuo através da terapia com fotos? Esses recursos diminuem os niveis de ansiedade e depressão? A experiência permitiu conhecer as peculiaridades do processo de phototerapia e explicar como podemos melhorar nossa qualidade de vida através do autocuidado e da imagem, trazendo respostas significativas as mulheres.

1 INTRODUÇÃO

As questões abordadas nesse trabalho, tem como enfase discutir sobre a qualidade de vida e sobre o sofrimento causado por aspectos fisicos que causam ansiedade, baixa autoestima e depressão em milhares de mulheres. Segundo o senso comum, se maquiar e tirar fotos melhora a autoestima do individuo, porém através da ciência queremos mostrar se de fato esse bem estar e esse aumento de autoestima é real.

Na psicologia existe um termo muito usado chamado subjetividade, que pode ser social ou individual e ambos se inter-relacionam. E através da subjetividade podemos alcançar aspectos psíquicos, como histórias de vida, patologias, personalidade, entre outras coisas, pois cada uma delas se encontra impressa em cada indivíduo. Porém para que tudo isso possa ser estudado, precisamos usar meios de comunicação que nos permitem acessar essa subjetividade.

A linguagem por meio da fala é um dos meios de comunicação mais usado, o veículo onde o homem pode se comunicar com o mundo. Porém as pessoas podem se relacionar de diversas formas, não somente pela fala, mas pelo olhar, postura, contextos e inclusive símbolos e imagens,

Nos tempos primórdios os homens se comunicavam e transmitiam suas mensagens através de pinturas e desenhos nas paredes.  Essas imagens e símbolos pintadas nas cavernas, foram sendo decodificadas e tendo significados.  O que queremos dizer com isso é que a imagem, também tem muito a nos dizer.

E ao observar o rumo que nossa geração tem tomado, em relação aos padrões de beleza impostos pela mídia, começamos a ter mais pessoas doentes do que saudáveis. A busca intensa pelo corpo perfeito, tem causado muitos transtornos e até mesmo depressão em especial nas mulheres.

Muitas se veem escravas dos padrões impostos e não conseguem se aceitar como são. O número de cirurgias plásticas aumenta a cada ano, uma corrida por corpos perfeitos, academias lotadas e por outro lado o aumento no consumo de anti depressivos e estabilizadores de humor, diante desses dados alarmantes, a fotografa viu na arte de fotografar uma saída. A cura através da fotografia, ajustando os ângulos, dirigindo poses, ajudando cada indivíduo se reencontrar na imagem que ficou perdida em algum lugar.

Em janeiro de 2019, na cidade de Vila Velha no Espírito Santo, na Cia do Cérebro a psicopedagoga Carla Afonso se submeteu a um ensaio fotográfico, conectada ao aparelho de ressonância magnética ao cérebro. A maquiagem, seguida do ensaio, foi toda realizada com a psicopedagoga ligada aos aparelhos, o resultado foi imediato, e nas imagens no anexo podemos observar como os níveis de ansiedade e tensão do cérebro mudaram, transformando o que era ruim em sensação de bem estar. conseguimos observar um aumento de endorfina, dopamina, serotonina e ocitocina. Esses hormônios estão sempre ativos no nosso organismo. Se eles se desequilibram, o corpo pode reagir com insônia, estresse, ganho de peso, ansiedade e, é claro, mau humor. Também podem levar à desmotivação e à tendência a adiar tarefas e compromissos, e em casos graves de baixa desses neurotransmissores, as pessoas podem até desenvolver depressão.

A autoestima é a avaliação que o sujeito faz de si em termos de valores; é a forma como nos sentimos acerca de nós mesmos, afetando crucialmente todos os aspectos da nossa experiência. A presença de uma autoestima positiva leva o indivíduo a sentir-se confiante, adequado à vida, competente e merecedor, sendo assim, indispensável para uma vida satisfatória. Essa autovalorização não é sinônimo de narcisismo, portanto faz se necessária a busca constante de formas de exprimi-la positivamente. O objetivo do relato é compartilhar a experiência da autora e os efeitos causados pela phototerapia na autoestima da mulher.

 

AS ETAPAS DESENVOLVIDAS

 

 A autora realizou o procedimento de phototerapia, que consiste em utilizar a maquiagem e a fotografia juntas como instrumento para elevar autoestima de mulheres, em mulheres de 30 a 89 anos, de vários estados e também realizou o exame de neurometria com a participação de uma psicopedagoga ligada aos aparelhos de ressonância para que fosse observado as alterações no cérebro provadas pelo procedimento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Observou se que no início da maquiagem o cérebro encontrava-se com a coloração azicentada e com uma frequência de estresse e ansiedade bem alto, o que foi mudando no decorrer do procedimento. Ao final, quando a mulher se olhou no espelho e foi fotografa, o cérebro mudou de cor e os níveis de ansiedade diminuíram, aumento a sensação de alegria e bem estar.

 

3 CONCLUSÃO

 

O desenvolvimento deste trabalho permitiu constatar que assim como diz o senso comum, a maquiagem e a fotografia de fato fazem bem para autoestima da mulher, se cuidar, se ver bonita, se achar bonita pode trazer uma melhora considerável na qualidade de vida da pessoa, além de um empoderamento pessoal. O relato além de buscar entender qual influência que a automaquiageme a fotografia tem sobre a autoestima das mulheres, também buscamos incentivar a realização de pesquisas nessa área, pois observamos no decorrer da experiência a necessidade de mais estudos neste ramo.

O presente relato ressalta a importância do conhecimento das técnicas de maquiagem e fotografia, como recursos de terapia com imagem e também demonstram que são técnicas que podem apresentar resultados significativos e efetivos na promoção da saúde. Conforme o conceito da Organização Mundial da Saúde (2011), a saúde não é apenas ausência de doença, mas também um completo bem-estar físico, social e mental

 

Palavras-chave: Fotografia. Maquiagem terapia. Neurometria

Fontes pesquisadas:

BAUMAN, Z. Vida líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007

Freud, S. (1969). Sobre o narcisismo: uma introdução. Edição standard das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (vol. XIV, p. 89-125). Rio de Janeiro: Imago. (Texto original publicado em 1914).

LUCAS, Neiva-Silva, KOLLER Sílvia Helena. O uso da fotografia na pesquisa em Psicologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Disponívem em: https://www.scielo.br/site. Acesso em: 05 jul. 2020.

Silveira, N. da (1992b). O mundo das imagens. São Paulo: Ática. 

SONTAG, Susan. Sobre fotografia. São Paulo. Companhia das Letras, 2006.

WEISER, Judy. PhotoTherapy Techniques: Exploring the Secrets of Personal Snapshots and Family Albums, 31 jul 1999.

ZANELLA, A. V. Fotografias e pesquisas em psicologia: retratos de alguns (des)encontros. In: ZANELLA, A. V.; TITTONI, J. (Org.). Imagens no pesquisar: experimentações. Porto Alegre: Ed. Dom Quixote, 2011.

 

[Discente do 4ºperiodo do Curso de Psicologia do Centro Universitário de Barra Mansa (UBM), RJ. E-mail: e-mail:biapias@live.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O que é a PHOTOTERAPIA?

Artista visual ressignifica conceito de fotografia através do projeto ‘Phototerapia’

 

No dicionário fotografia significa a arte ou processo de reproduzir imagens sobre uma superfície fotossensível (como um filme), pela ação de energia radiante, especialmente a luz ou ainda a imagem obtida por esse processo; foto, retrato.

Mas Bia Peace conseguiu ressignificar o gesto. Além de fotógrafa, atualmente ela é acadêmica do Curso de Psicologia do Centro Universitário de Barra Mansa (UBM). A artista visual através das suas lentes vem promovendo a recuperação da auto estima, empoderamento feminino e a satisfação pessoal. Tudo isso de forma comprovada através do projeto ‘Phototerapia’, realizado recentemente no Espírito Santo.

A carreira de Bia Peace começou em 2010 em Resende, durante suas sessões fotográficas, suas modelos relatavam problemas pessoais, se sentiam feias por não estar dentro do padrão de beleza imposto pelas mídias e, com o passar dos anos, a profissional sentiu a necessidade de tentar algo diferente para ajudar essas mulheres. “Elas desabafavam, confiavam em mim seus segredos e angústias e eu não podia falar simplesmente o que achava, precisava de um embasamento para auxiliar minhas amigas, que não são simplesmente clientes. Percebia que durante o processo das fotos elas melhoravam ficavam mais leves, felizes, daí senti a necessidade de cursar psicologia e trazer para elas uma novidade num mundo onde já existe de tudo”.

Do curso nasceu o projeto ‘Phototerapia’ que tem sua própria meotodologia e é realizado em três etapas: Maquiagem que é feita pela própria fotografa, a produção de figurino, assim como a produção da foto. A maquiagem é feita na praça, no hospital, no asilo ou em qualquer outro local, a fotografa não tem equipe, faz tudo sozinha e leva em sua mala roupas e acessórios para aprimorar o trabalho. A phototerapia já foi realizada nos estados da Bahia, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco e Paraíba. Mas foi no Espírito Santo que veio a comprovação da mudança de comportamento provocada durante as sessões. Em janeiro de 2019, na cidade de Vila Velha, no Espírito Santo, na Clínica Cia do Cérebro, foram levantadas as principais questões: A maquiagem e a fotografia realmente podem mudar o humor de uma pessoa? É possível tratar um indivíduo através da terapia com fotos? Esses recursos diminuem os níveis de ansiedade e depressão? A experiência permitiu conhecer as peculiaridades do processo de phototerapia e explicar como se pode melhorar a qualidade de vida através do auto cuidado e da imagem, trazendo respostas significativas as mulheres. “Na clínica, a psicopedagoga Carla Afonso se submeteu a um ensaio fotográfico, conectada ao aparelho de ressonância magnética ao cérebro. A maquiagem, seguida do ensaio, foi toda realizada com ela conectada aos aparelhos, o resultado foi imediato, e nas imagens feitas durante o exame podemos observar como os níveis de ansiedade e tensão do cérebro mudaram, transformando o que era ruim em sensação de bem estar. Conseguimos observar um aumento de endorfina, dopamina, serotonina e ocitocina, hormônios que estão sempre ativos no nosso organismo. Se eles se desequilibram, o corpo pode reagir com insônia, estresse, ganho de peso, ansiedade e, é claro, mau humor.Também podem levar à desmotivação e à tendência a adiar tarefas e compromissos, e em casos graves de baixa desses neurotransmissores, as pessoas podem até desenvolver depressão”, explica a artista visual, acrescentando que o procedimento foi realizado em mulheres de 30 a 89 anos de vários estados.

Bia ainda destaca que durante o processo foi observado que no início da maquiagem o cérebro encontrava-se com a coloração acinzentada e com uma frequência de estresse e ansiedade bem altos, o que foi mudando no decorrer do procedimento. Ao final, quando a mulher se olhou no espelho e foi fotografada, o cérebro mudou de cor e os níveis de ansiedade diminuíram, aumentando a sensação de alegria e bem estar. “Durante o estudo foi comprovado que fotografia e maquiagem trazem benefícios para a saúde. Não é só beleza ou estética, é qualidade de vida. E a maioria dos fotógrafos ainda não despertou para o poder incrível que tem em mãos. Pegue uma fotografia antiga, de parentes, ou sua e perceba o quanto ela te influencia, o que ela te mostra de traços antigos, de personalidade, de antepassados. Veja o quanto você mudou em dez anos, o que ganhou, o que perdeu. Olhando a imagem você é capaz de se lembrar o que aconteceu naquele dia, no momento em  que aquela foto foi feita. Você começa a entender muitas coisas e resolve muitas questões internas. Tudo isso comprova que a fotografia tem o poder de mexer com os seus sentimentos e pode ser usada como cura”, aponta Peace.  Todo esse estudo foi aprovado durante o III Seminário de Pesquisa Científica do UBM e será publicado em 2021 na Revista Científica da instituição de ensino