Artista visual ressignifica conceito de fotografia através do projeto ‘Phototerapia’

 

No dicionário fotografia significa a arte ou processo de reproduzir imagens sobre uma superfície fotossensível (como um filme), pela ação de energia radiante, especialmente a luz ou ainda a imagem obtida por esse processo; foto, retrato.

Mas Bia Peace conseguiu ressignificar o gesto. Além de fotógrafa, atualmente ela é acadêmica do Curso de Psicologia do Centro Universitário de Barra Mansa (UBM). A artista visual através das suas lentes vem promovendo a recuperação da auto estima, empoderamento feminino e a satisfação pessoal. Tudo isso de forma comprovada através do projeto ‘Phototerapia’, realizado recentemente no Espírito Santo.

A carreira de Bia Peace começou em 2010 em Resende, durante suas sessões fotográficas, suas modelos relatavam problemas pessoais, se sentiam feias por não estar dentro do padrão de beleza imposto pelas mídias e, com o passar dos anos, a profissional sentiu a necessidade de tentar algo diferente para ajudar essas mulheres. “Elas desabafavam, confiavam em mim seus segredos e angústias e eu não podia falar simplesmente o que achava, precisava de um embasamento para auxiliar minhas amigas, que não são simplesmente clientes. Percebia que durante o processo das fotos elas melhoravam ficavam mais leves, felizes, daí senti a necessidade de cursar psicologia e trazer para elas uma novidade num mundo onde já existe de tudo”.

Do curso nasceu o projeto ‘Phototerapia’ que é realizado em três etapas: Maquiagem que é realizada pela própria fotografa, a produção de figurino, assim como a produção da foto. A maquiagem é feita na praça, no hospital, no asilo ou em qualquer outro local, a fotografa não tem equipe, faz tudo sozinha e leva em sua mala roupas e acessórios para aprimorar o trabalho. A phototerapia já foi realizada nos estados da Bahia, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco e Paraíba. Mas foi no Espírito Santo que veio a comprovação da mudança de comportamento provocada durante as sessões. Em janeiro de 2019, na cidade de Vila Velha, no Espírito Santo, na Clínica Cia do Cérebro, foram levantadas as principais questões: A maquiagem e a fotografia realmente podem mudar o humor de uma pessoa? É possível tratar um indivíduo através da terapia com fotos? Esses recursos diminuem os níveis de ansiedade e depressão? A experiência permitiu conhecer as peculiaridades do processo de phototerapia e explicar como se pode melhorar a qualidade de vida através do auto cuidado e da imagem, trazendo respostas significativas as mulheres. “Na clínica, a psicopedagoga Carla Afonso se submeteu a um ensaio fotográfico, conectada ao aparelho de ressonância magnética ao cérebro. A maquiagem, seguida do ensaio, foi toda realizada com ela conectada aos aparelhos, o resultado foi imediato, e nas imagens feitas durante o exame podemos observar como os níveis de ansiedade e tensão do cérebro mudaram, transformando o que era ruim em sensação de bem estar. Conseguimos observar um aumento de endorfina, dopamina, serotonina e ocitocina, hormônios que estão sempre ativos no nosso organismo. Se eles se desequilibram, o corpo pode reagir com insônia, estresse, ganho de peso, ansiedade e, é claro, mau humor.Também podem levar à desmotivação e à tendência a adiar tarefas e compromissos, e em casos graves de baixa desses neurotransmissores, as pessoas podem até desenvolver depressão”, explica a artista visual, acrescentando que o procedimento foi realizado em mulheres de 30 a 89 anos de vários estados.

Bia ainda destaca que durante o processo foi observado que no início da maquiagem o cérebro encontrava-se com a coloração acinzentada e com uma frequência de estresse e ansiedade bem altos, o que foi mudando no decorrer do procedimento. Ao final, quando a mulher se olhou no espelho e foi fotografada, o cérebro mudou de cor e os níveis de ansiedade diminuíram, aumentando a sensação de alegria e bem estar. “Durante o estudo foi comprovado que fotografia e maquiagem trazem benefícios para a saúde. Não é só beleza ou estética, é qualidade de vida. E a maioria dos fotógrafos ainda não despertou para o poder incrível que tem em mãos. Pegue uma fotografia antiga, de parentes, ou sua e perceba o quanto ela te influencia, o que ela te mostra de traços antigos, de personalidade, de antepassados. Veja o quanto você mudou em dez anos, o que ganhou, o que perdeu. Olhando a imagem você é capaz de se lembrar o que aconteceu naquele dia, no momento em  que aquela foto foi feita. Você começa a entender muitas coisas e resolve muitas questões internas. Tudo isso comprova que a fotografia tem o poder de mexer com os seus sentimentos e pode ser usada como cura”, aponta Peace.  Todo esse estudo foi aprovado durante o III Seminário de Pesquisa Científica do UBM e será publicado em 2021 na Revista Científica da instituição de ensino.

‘Ressignificando o Interior’

Do estudo nasceu à exposição fotográfica ‘Ressignificando o interior’, um processo pioneiro na região Sul Fluminense do Rio de Janeiro, onde a artista vive. A exposição é remota e em 3D, podendo ser conferida no link https://youtu.be/Tf9HvND6sDo .

As fotografias retratam cerca de 30 mulheres de diferentes idades, estilos e estados brasileiros. A proposta da artista e futura psicóloga é utilizar a fotografia como remédio contra depressão, solidão, dismorfia corporal e outros males que afligem o corpo e alma de muita gente.

O projeto de Bia Peace nasce do Programa Facilita da Coordenação de Pesquisa do UBM que visa atender a todos os acadêmicos dos diferentes cursos na concretização de seus trabalhos científicos, sob a coordenação da Professora Dra. Rosa Maria Maia Gouvêa Esteves e da Professora Doutoranda Ana Maria Dinardi. A professora Liliana Suemi Nakakogue, do Cento Universitário Campos de Andrade (UNIANDRADE) de Curitiba, juntamente com duas alunas do 8º período do Curso de Arquitetura e Urbanismo, Paula Dittrich de Oliveira e Alanna Cassiane de Lima,  trabalharam na elaboração da maquete digital que serviu para o tour virtual pela vernissage da acadêmica do UBM e contam também com o apoio da Coordenadora do Curso de Arquitetura, a Professora. MSc. Beatriz Lemos de Almeida.

Bia explica que a parceria entre as Instituições permite que a exposição seja realizada com o que há de mais inovador, ao possibilitar aos visitantes uma experiência única. Todos os visitantes poderão caminhar virtualmente pelos labirintos e ambientes em 3D com muitos cenários e cheios de significados. “A exposição não é meramente olhar um monte de fotos no site e sim participar afetivamente, todas as fotografias tem uma história, um contexto, um cenário. Todas as imagens têm uma fundamentação científica, a psicologia me deu novos conceitos para a fotografia”, cita. Ela ainda destaca que a mostra reúne arquitetura, psicologia, arte, ciência e pesquisa científica reunidas numa só vernissage, que contará também com uma roda de conversa virtual, em que todos os envolvidos compartilharão o making of e detalhes de como foi promover algo arrojado e desafiador. Todo o trabalho da artista pode ser conhecido em https://www.pesquisapsicologiaearte.com/

Por Francine - Voz da Cidade